8 de março! Mulheres nas ruas para mudar o mundo!

Ato no dia 8 de março de 2006, concentração às 14 horas, no Vão do MASP, Av. Paulista. Desceremos a Consolação até a Praça Ramos de Azevedo.

O 8 de março é um dia de luta das mulheres por igualdade e autonomia. Nesse dia chamamos todas as mulheres a reivindicar o feminismo: juntar-se a um movimento pelo fim do machismo e da opressão. Esse movimento tem história e também muita atualidade: luta por igualdade num mundo tão injusto e desigual.

A violência contra as mulheres, em casa, na rua, no trabalho, é um dos pilares de uma sociedade capitalista e neoliberal, baseada na exploração do trabalho de muitas em favor do lucro de poucos. Cada vez mais nossos corpos, nossa vida, nossos direitos e desejos são tratados como mercadorias, nos cartazes de propaganda ou nas políticas econômicas que castigam a população para garantir o lucro dos banqueiros. Assim como a violência contra a juventude negra, a lesbiofobia, a exploração e o tráfico sexual, o machismo não é apenas uma herança do passado, mas uma peça central na engrenagem da exclusão no mundo de hoje.

Contra essa ordem machista e conservadora, nós mulheres não recuamos, e continuamos exigindo nossos direitos: viver com prazer e não com medo, à saúde integral, à legalização do aborto no serviço público e gratuito. Continuamos lutando e trazendo nossa voz às ruas, porque estamos comprometidas em mudar o mundo e mudar o Brasil: queremos justiça social, reforma agrária e reforma urbana, queremos distribuição da riqueza, através de políticas reais como a valorização do salário mínimo.

Somos contra todas as reformas que representem perdas de direitos e mais privatização. Queremos que se cumpram direitos de todas as mulheres, trabalhadoras do campo e da cidade, como as empregadas domésticas, as migrantes, as desempregadas e as donas de casa que reivindicam seu direito à aposentadoria, as desempregadas, as mulheres lésbicas, as indígenas, as jovens, as camponesas, as portadoras de deficiência. Queremos soberania e democracia a partir da auto-organização dos povos, valorização do trabalho das mulheres e de seu papel como um sujeito político. Para garantir nossos direitos o Estado deve ser transparente e não corrompido por interesses privados.

Por isso estamos contra os acordos de livre comércio, como a ALCA e as regras da Organização Mundial do Comércio, em que só ganham as corporações transnacionais e as elites de nosso país. Por isso estamos contra as políticas de guerra permanente, pela retirada das tropas que ocupam o Iraque, para que as tropas brasileiras e de outros países saiam imediatamente do Haiti, pelo fim das políticas de militarização na América Latina. Estamos contra o pagamento da dívida externa, porque depois de séculos de expoliação imperialista, nós é que devemos cobrar uma imensa dívida social e ambiental. Somos parte da luta e da resistência dos povos.

Também ocupamos as ruas contra todas as políticas que privatizam o espaço público, criminalizam os movimentos, lutadoras e lutadores sociais de São Paulo e do Brasil.

Nossa luta é todo dia: somos todas feministas!
Mulheres em movimento mudam o mundo!

O 8 de março é o Dia Internacional da Luta das Mulheres. Essa data foi construída por mobilizações das mulheres trabalhadoras ao longo do século 20. Relembra as operárias têxteis de Nova Iorque que lutaram por melhores condições de trabalho, a mobilização das mulheres em muitos países pelo direito ao voto e a ação autônoma das operárias russas que desencadearam a Revolução saindo às ruas contra a fome, a guerra e a tirania. Na II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, Clara Zektin propôs um dia internacional das mulheres. Em 1921, a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas registrou que “uma camarada búlgara propõe o 8 de março como Dia Internacional da Mulher”. A partir de 1922 as mulheres se mobilizam nesse dia em todo o mundo.

Como anda a vida das mulheres no Brasil

As mulheres trabalhadoras têm mais anos de estudo do que os homens mas ganham em média 30% a menos do que eles.
As mulheres negras recebem em média a metade do rendimento das mulheres brancas e pouco mais de um terço do que os homens brancos.
Quatro mulheres são espancadas a cada minuto, a maioria por seu marido ou parceiro.
Por ser considerado crime, cerca de 1,2 milhão de abortos são realizados por ano na clandestinidade, causando 9% das mortes maternas e 25% das esterilidades.
Quase metade das mulheres que está no mercado de trabalho ganha 1 salário mínimo. (dados: Fundação Perseu Abramo)
Nos primeiros 5 meses de 2004, foram registrados 132 mil casos de violência sexista no Estado de São Paulo. (dado: OAB)

Texto do panfleto de convocação do Dia Internacional da Mulher de São Paulo, fevereiro de 2006.

Comentários

Vale lembrar que a

Vale lembrar que a padronizaçao promovida pela distinçao desigual dos generos oprime tanto mulheres quanto homens, na medida em que esgota nessa divisao as potencialidades de criaçao de cada um como pessoa, obrigando tanto um quanto o outro a reproduzirem contra sua vontade o papel opressor do masculino e submisso do feminino. Vale como um convite ao homens a comparer a marcha e compor a luta pela destruiçao dos papeis socias.