Vozes da Terra: MST contesta números do governo

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O Vozes da Terra desta semana entrevista o integrante da direção nacional do Movimento Sem Terra, João Pedro Stedile, sobre a situação da Reforma Agrária no Brasil.

O programa, especialmente nesta semana, tem 2 MB, com 08 minutos e 44 segundos. Clique em www.mst.org.br/programa27.mp3 e baixe o arquivo em MP3.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário divulgou no dia 22 de dezembro o balanço das atividades em 2005. Segundo os números do governo, cerca de 117 mil famílias teriam sido assentadas no período.

Em nota oficial, o MST contestou os dados e afirmou que o governo repete os métodos utilizados do governo Fernando Henrique Cardoso [1995-2002] na área.

Nesta entrevista, João Pedro Stedile comenta os dados, faz uma avaliação do processo de Reforma Agrária no governo Lula e diz o que o poder público precisa fazer para mudar a estrutura fundiária do país.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista:

Números divulgados

“Todo governo faz isso: chega no final do ano, fica querendo fazer propaganda do que não fez e cria maquinações estatísticas (...). A questão não é se foram assentadas 117 ou 115 mil famílias. Isso é de menos. Os nossos ouvintes têm que entender que não está em curso um processo que realmente mude o modelo agrícola brasileiro, o latifúndio e transforme a atual propriedade improdutiva em regiões reformadas onde predominem a agricultura camponesa, que produz alimentos para o mercado interno”.

200 mil famílias acampadas

“O governo deveria ter a responsabilidade de procurar de forma emergencial tirar essas famílias debaixo da lona preta e conseguir terra para que elas possam trabalhar”.

Reforma Agrária sob o governo Lula

“Na avaliação do MST, nos últimos três anos do governo Lula, infelizmente, por conta da política econômica de caráter neoliberal e da opção de priorizar o agronegócio, a Reforma Agrária está parada como programa que estimulasse a produção de renda e de alimentos”.

Outro modelo agrícola

“Reforma Agrária não é só distribuir terra, é a mudança do modelo agrícola (...). Não é possível fazer Reforma Agrária sem mudar a política econômica, que prioriza as exportações e grandes propriedades do agronegócio. Temos que distribuir a terra, desapropriar todos os latifúndios improdutivos e entregar para os sem-terra. Ao mesmo tempo, combinar com uma política agrícola que estimule a prática da policultura e a produção de alimentos para as cidades, o mercado interno. Isso só se viabiliza se o governo tem uma política de distribuição de renda e aumento de salários, que faça com que a população pobre das cidades tenha dinheiro para comprar os alimentos”.

Índice de produtividade

“O governo precisa mudar os índices de produtividade. Estão enrolando os movimentos sociais há mais de um ano e não mudam esses índices de 1975. Isso acontece porque o governo Lula está de rabo preso com a bancada ruralista, que é o que tem de mais atrasado e conservador. O governo precisa dizer claramente para a sociedade: é aliado dos sem-terra e dos pobres do campo ou é aliado dos latifundiários da bancada ruralista?”.#

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***** O Vozes da Terra retorna em 2006, no dia 6 de janeiro. Desejamos boas festas a todos e todas! *******

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