O povo brasileiro paga as dívidas do agronegócio, diz economista

"O agronegócio brasileiro, que fala tanto em ser moderno e ter altos níveis de produtividade, continua em aspectos muito relevantes, como as velhas oligarquias rurais, com a diferença de que hoje eles estão muito mais internacionalizados", explica o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo José Juliano.

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No programa de rádio Vozes da Terra desta semana, o economista afirma que os "ruralistas têm uma dívida de bilhões com o governo, que já vem desde a época de FHC, conseguiram renegociá-la. E é o povo brasileiro que paga pelo Tesouro estas dívidas".

No dia 10 de agosto, o pagamento de parte dos empréstimos cedidos aos grandes fazendeiros foi prorrogado pelo governo Lula. Mais uma vez os ruralistas foram favorecidos pelo Estado brasileiro. O acerto de contas estava previsto para este ano. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciaram a mudança do prazo do vencimento das dívidas para o próximo ano.

É mais uma concessão aberta depois do tratoraço, manifestação organizada pelos fazendeiros em junho, em Brasília. O governo já tinha oferecido privilégios para o setor, como o empréstimo de três bilhões de reais. No total, os ruralistas devem ao Tesouro Nacional 26 bilhões de reais. A dívida vem sendo prorrogada desde 1995.

Os impostos pagos pelo povo brasileiro continuam financiando a produção de fazendeiros que possuem grandes terras para a plantação de monocultura para comercialização no exterior. A população não recebe nada em troca na operação. Pelo contrário, o governo deixa de investir em áreas como emprego, educação, saúde e Reforma Agrária.

Com as exportações, o Brasil acumula um saldo positivo na balança comercial e paga a dívida interna e externa. Para o economista José Juliano, apenas a elite brasileira ganha com o agronegócio. "O problema é que os ganhos são internalizados pelas grandes corporações e os prejuízos, socializados pelo povo. Isso é um jogo político, consequência das estruturas sócio-econômicas que perduram na sociedade com o predomínio desta elite que tanto prejudica o país. De qualquer forma, o problema não é apenas uma questão específica do agronegócio como organização, mas os interesses que prevalecem dentro deste sistema e do próprio governo Lula, que fez uma opção pelo agronegócio", afirma.

Por um lado, os fazendeiros ampliam privilégios e ganham recursos. Por outro, o governo deixa de cumprir as promessas de campanha. O desemprego continua alto, os serviços públicos não foram ampliados e a Reforma Agrária não avançou. Para mudar a situação, o povo do campo e da cidade precisa somar esforços, se mobilizar e se organizar. A data está marcada: 7 de Setembro. O Grito dos Excluídos será uma oportunidade de união de forças sociais em nome da construção de projeto popular de desenvolvimento para o Brasil.

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