Sobre o projeto radiolivre.org

O projeto radiolivre.org é uma das ações iniciais para que se concretize a Rede de Rádios Livres. Aqui poderão estar postados múltiplos conteúdos, entre eles: memória (processo histórico), conhecimento (técnica + legislação), criatividade (música e programação), organização (movimento), enfim.

"Me organizando eu posso desorganizar, desorganizando eu posso me organizar": os versos de Science continuam atualíssimos e dão um toque especial, ao menos a nós que nos propomos à liberdade e criamos meios para realizá - la. Em 2003, após a oficina: Comunicação Livre - Novas Formas de resistência Às Novas Formas de Dominação, realizada pela Rádio Muda, no III Fórum Social Mundial, muitas pessoas maniFESTARAM o desejo e a necessidade de uma Rede de Rádios Livres.

Resolvemos,neste momento, focalizar as experiências de Rádios Livres em Universidades. Esta prática vem se multiplicando e acreditamos ser importante acelerar estas ações, pois democratizam não só o acesso à comunicação, como tornam pessoas passivas em agentes também, neste setor "estratégico": a educação.

De acordo com perfis criados coletivamente, as rádios se classificam hoje como: livres, comunitárias, educativas, laboratoriais, clandestinas, piratas... Diante desta diversidade enriquecedora há algo com que se identificam: são a amplificação das vozes oprimidas e se tornaram alternativas "vivas" aos arbítrios do poder e dos consensos majoritários, tão comuns aos meios de comunicação de massa e às universidades.

Os exemplos atuais de resistência não devem ser seguidos como únicos, nem como ideais, mas servem como referências para emissoras que desejam florescer, se fortalecerem e insPIRAREM , de coração e microfones abertos, o saber "acadêmico" (hoje tão permeado pela manutenção do status-quo).

O projeto radiolivre.org é uma das ações iniciais para que se concretize a Rede de Rádios Livres. Aqui poderão estar postados múltiplos conteúdos, entre eles: memória (processo histórico), conhecimento (técnica + legislação), criatividade (música e programação), organização (movimento), enfim.

Acreditamos em um sistema de comunicação plural, descentralizado e anti-monopolista. Esperamos assim, possibilitar que rádios de pequena potência (ao contrário das emissoras "oficiais" da atualidade no país) mesmo afastadas geograficamente, estejam unidas digitalmente, de forma que hajam milhares de vozes simultâneas, todas ligadas entre si e intercambiando suas produções.

No processo sócio-histórico em que são gerados o pensamento e a linguagem, veículos que servem à comunicação alternativa, ao protagonismo e à liberdade, negando as imposições mercadológicas, merecem ser louvados e estudados. Mas qual a grande incongruência destes tempos? À esta comunicação é associado um caráter marginal, pois têm grande poder de intervir no cotidiano d@s indivíduos, incitando-@s a se sentirem capacitad@s a projetar livremente seus próprios destinos, a cometerem os meios e criar seus sentidos de contato com o mundo.

Enquanto este sentido de cidadania, de estar no mundo, for considerado crime, estaremos fortalecendo a prática da desobediência civil. Desobediência a uma legislação retrógrada, que não condiz com os anseios da sociedade e nem sequer resguarda seus direitos. Faixas de ondas são de propriedade coletiva, conseqüentemente, os instrumentos para utilizá-las - microfones, transmissores e antenas - também devem ser.

As lacunas do convencional, ora de musicalidade, ora de informação, podem ser preenchidas através do rádio livre, criativo, humanitário. E não meramente tecnicista, mercadológico e oportunista. É exatamente esta prática que negamos, cada emissora libertária, amplifica vozes, transmite sonhos e une mentes e corações.

Façamos então nossas trocas e registros, para que se fixe e amplie a resistência. Pela posse dos nossos desejos e vozes que vibram e vibrarão até chover transmissores e relampejarem concessões... no ar: a rede libertária! INCLU@-SE !!!

ps: o símbolo @ foi utilizado no texto para se referir a ambos os sexos.

Texto por Juliana Lima.

Comments

Prover serviços tecnológicos a uma rede dispersa

O projeto Orelha / radiolivre.org é uma forma de suporte tecnológico às rádios livres, oferecendo-lhes hospedagem de site, emails, listas de discussão, serviço de áudio via internet em tempo real (streaming) e ainda um portal (http://www.radiolivre.org) de publicação aberta para o intercâmbio de material e informações.

Esse modelo de comunicação descentralizado, onde rádios de pequena potência estão afastadas geograficamente umas das outras, "mas todas digitalmente incluídas, de forma que hajam milhares de vozes simultâneas, todas ligadas entre si e intercambiando sua produção", baseia-se ne arquitetura distribuída usada, por exemplo, para muitos computadores na internet se juntarem numa mesma tarefa e com isso somarem seu poder de processamento - e muitas vezes se equipararem a grandes supercomputadores.

--
rhatto at riseup.net
chave pública: id 0x6B566777 / keys.indymedia.org

sobre o projeto

Trata-se, a meu ver, de viabilizar tecnicamente soluções para os mais graves e recorrentes problemas "analógicos" de comunicação entre as rádios, que se fazem visíveis na reprodução do modelo comercial de comunicação, onde a produção dos progrmas não corresponde à necessidade de transformação do comportamento passivo, como no broadcast, para um mais ativo, interativo, como na internet.

A internet não é apenas mais um meio de comunicação, mas uma alternativa real de tomada da palavra através da ocupação direta da esfera pública de comunicação!! quando no analógico nada existe sem a mediação do poder epresarial das elites...

e isso tudo é só o começo...