Tempos pós-modernos e a crise das indústrias da intermediação cultural: existe vida cultural após o copyright?

tirado de http://www.brasilautogestionario.org
escrito por everton

Proposta de palestras criada: por Produtora do Teatro Mágico, GEPsTAS/PUC/RS, Intervozes, SindBancários/POA, ABRAÇO, Brasil Autogestionário e movimento música para baixar (MPB); e aprovada no PROGRAMA CULTURA E PENSAMENTO 2009/2010

No dia 28 de fevereiro encerrou-se o prazo para enviar propostas para o PROGRAMA CULTURA E PENSAMENTO 2009/2010 de apoio a debates presenciais. Várias entidades e pessoas juntaram-se para enviar o projeto: Tempos pós-modernos e a crise das indústrias da intermediação cultural: existe vida cultural após o copyright?, na linha temática: “LÓGICAS E ALTERNATIVAS PARA AS DINÂMICAS CULTURAIS no centro da economia e da sociedade”.

Dia 15 de março a coordenação do edital de debates divulgou a lista de projetos habilitados para a etapa de pré-seleção e nossa propostas foi habilitada. Estamos expectativa de sermos pré-selecionados para participarmos da reunião com a comissão julgadora e, posteriormente, apresentar a versão final do projeto. A proposta conta com o protagonismo das seguintes entidades: Produtora do Teatro Mágico, GEPsTAS/PUC/RS, Intervozes, SindBancários/POA, ABRAÇO, Brasil Autogestionário e movimento música para baixar (MPB).

O seminário proposto pelo projeto, pretende problematizar e construir vetores onde a cultura livre como forma de expressão e estética igualmente produtiva, identifique estratégias possíveis e emancipatória. Serão:

A) Três debates presenciais, partindo dos eixos trabalho, economia e cultura, abordando de forma ampla os temas da Cultura Livre, Comunicação, Autogestão, Economia Solidária, Redes Sociais e internet;

B) Oito relatos de experiências, sendo quatro por dia, onde entidades e atores com trabalhos e propostas similares aos objetivos do projeto, irão expor de forma presencial suas ações, dificuldades e acertos;

C) Intervenções: propostas de diversas linguagens que internas ao debate e evento, irão provocar as questões centrais do seminário;

D) O Seminário será transmitidas ao vivo pela rede digital integra, e seu registro será sistematizado em diversas mídias para uso e divulgação posterior;

Nosso principal desafio: “Pontos de Cultura, Rádios Comunitárias, Software Livre, Blogueiros(as) e Movimento Música Para Baixar, bem como, conceitos de “produção e produto imaterial”, Cultura Livre, Autogestão, redes de produção e Economia Solidária, são bases que necessitam avançar na elaboração e problematização de seus limites conceituais e infraestruturais, qualificando assim formas organizativas de gestão e produção, comercialização e circulação de bens, endógenas, emancipatórias, sustentáveis, viáveis para inserção e disputa de paradigmas no mercado.

Sendo assim, qual o projeto de Banda Larga, direito autoral, hospedagem de conteúdos, circulação de conhecimento/bens imateriais necessitamos? Qual o modelo mais efetivo e emancipado de organizar o trabalho imaterial? Como “valorar” a produção e circulação de um bem imaterial nas redes, texto, música, vídeo, equilibrando o acesso livre com uma remuneração justa do criador?” Esse é o nosso desafio.

Curador Geral: Sérgio Amadeu da Silveira

Curadores(as) associados: Everton dos Santos Rodrigues(MPB), Marco Aurélio Weissheimer(Blog RSUrgente), Renato Rovai(Revista Fórum), Pedro Munhoz(Músico Trovador – Ex-coordenador de cultura do MST); Gustavo Henrique Silva Anitelli(Teatro Mágico), Gleny Terezinha Duro Guimarães(Coordenadora do GEPsTAS/PUC/RS), Eduardo Balbino Ferreira(Artista e produtor multmídia), Mauro Salles Machado(Diretor do SindBancários), Cíntia Pereira Barenho(Ambientalista- MMM e CEA), Lucio Uberdan(Brasil Autogestionário).

Painelistas que serão convidados(as):

Ladislau Dowbor - Formado em economia política pela Universidade de Lausanne, Suiça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia (1976). ,

Ricardo Antunes – Com vasta pesquisa e publicação sobre o Mundo do Trabalho e sua nova morfologia, Antunes é professor Titular de Sociologia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP. Foi Visiting Research Fellow na Universidade de SUSSEX, Inglaterra (1997/8).

Sérgio Amadeu da Silveira – É graduado em Ciências Sociais (1989), mestre (2000) e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (2005). Consultor de Comunicação e Tecnologia. Foi professor titular do Programa de Mestrado da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (2006-2009).

Maria Paula Sibilia – Fez graduação em Ciências da Comunicação e em Antropologia na Universidad de Buenos Aires (UBA, 1992), mestrado em Comunicação na Universidade Federal Fluminense (UFF, 2002), doutorado em Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2007) e doutorado em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ, 2006).

Antonio David Cattani – Doutor pela Université de Paris I – Panthéon-Sorbonne (1980), com pós-doutorado na Ecole de Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris, 1993-1994). Professor titular de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e no Programa de Pós-Graduação em Sociologia; professor visitante na Université Laval (Québec – Canadá)

Ivana Bentes Oliveira – Possui graduação no Curso de Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986), mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1991) e doutorado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997).

João Bernardo – Nascido na cidade do Porto, Portugal, em 1946, tem uma obra que atualmente soma doze livros e inúmeros ensaios e artigos publicados em revistas nacionais e internacionais. Desse conjunto de obra, destaco para esta ocasião, os livros: O Inimigo Oculto. Ensaio sobre a Luta de Classes. Manifesto Anti-Ecológico.

Oona Castro – Jornalista, formada pela Faculdade Cásper Líbero em SP. Reside RJ desde 2007 e é coordenadora-executiva do Instituto Sociocultural Overmundo. Ao longo dos últimos anos, envolveu-se com estudos no campo da economia da cultura.

Apresentação

Estamos vivendo uma “crise” social, política, econômica e ambiental com nunca vista, ao fim da primeira década do novo século. Crise que devasta sociabilidades, instituições, elementos naturais e os fundamentos e ideologias existentes, com profundo impacto nas relações sociais como um todo.
De forma específica, vivemos igualmente uma época de profundas transformações tecnológicas que vão da informação à produção, que possibilitam ampla diversidade de inúmeras sociabilidades em redes digitais, bem como, a ampliação de formas de controle que transcendam a matéria. Na produção, a tecnologia ainda que promova novos empregos criativos em áreas muito valorizadas de serviços, realizam em setores, como o telemarketing, jornadas de trabalho semelhantes as do século XIX. Portanto perguntamos: Tecnologia para quem e para quê?

No centro dessa crise, vivida em plena democracia representativa, está o sistema capitalista e seu contraditório, as experiências e teses anti-sistêmicas. Ao primeiro, cabe acelerar as adequações necessárias para se manter hegemônico, salvaguardando a sua “liberdade” e conceitos fundamentais, como o expansionismo que converte tudo em mercadoria. Ao segundo, cabe a tarefa de enfrentar a necessidade de animar velhas e novas “instituições”, na busca de consensos que garantam possibilidades concretas de colocar em curso amplas ações emancipatórias, consolidando dinâmicas não-capitalistas, como a radicalização da democracia participativa, projetos de sustentabilidade socioambiental, formas de trabalho associado e autogestionário e tecnologias libertas em concepção e utilidade.

Neste contexto analisar e articular de forma complexa o pensamento transformador é estratégico e central, percebendo possíveis convergências pró-alternativas, recolocando a arte em seu sentido mais amplo – de ferramenta política de transformação- assim como, expressão de um bem comum que é a cultura e a tradição dos povos. Além de animar e fortalecer ações e inciativas reais e emancipatórias no campo econômico, construindo a viabilidade econômica e de gestão de cadeias produtivas na área da arte, em especial dos produtos imateriais, sustentáveis em seu ramo, e conscientes e solidários com a complexidade da sociedade.

Sendo assim, frente a conjuntura hegemônica de possibilidades na área do conhecimento, consumo e trabalho, e em contraste com o fenômeno das “Redes Sociais”, da “Cultura Livre” e da “Outra Economia” autogestionária que se apresenta como necessidade histórica dos trabalhadores(as), questionamos: qual o modelo mais efetivo e emancipado de organizar o trabalho imaterial? Como “valorar” a produção e circulação de um bem imaterial nas redes, equilibrando o acesso livre com a remuneração justa do criador?

O Seminário proposto neste edital reunirá diferentes pessoas, pensamentos e escolas, que guardam entre-si a discreta relação da inconformidade com as formas de poder hegemônico e uma profunda e diferenciada “crença” na inteligência humana.

Abordagem do Tema e sua Inserção na Linha Temática

Em nenhum momento da história tivemos acesso a tamanha tecnologia e conhecimento para planejar a vida, bem como, período tão próximo de um irreversível processo que pode colocar em xeque a vida dos seres vivos. Entendemos que não existe uma conspiração comum para dar fim ao Planeta, mas sim um “sistema” complexo em funcionamento, um fino mecanismo que auto sustenta-se e chamamos de “sistema”. Afinal para que e quem serve o conhecimento e a tecnologia que criamos nesse sistema?

Tal sistema tem a hegemonia centralizada no Capital, baseado na exploração do trabalho e da propriedade privada, transformando tudo e todos(as) em mercadoria, voltado ao mercado onde define-se ganhadores e perdedores. Assim, tudo vira produto, tem valor monetário e vira Capital privado nas mãos de poucos. Modelo este que é predominante não só nas áreas de produção de bens materiais duráveis, mas também produção das áreas do conhecimento, arte e cultura.

Neste contexto, a hegemônica do Capital inventou a “indústria cultural”, com produção e comercialização que restringe e cria dependência das manifestações com o mercado, através de técnicas e tecnologias de alto custo, onde os artistas, quando contratados, dispõem de recursos capazes de lhes fornecer a prioridade na criação e distribuição dos produtos, tornando inviável o mercado aos independentes. Na necessidade de transformar a expressão em produto comercializável, a Arte padronizada é instituída como forma prioritária de manifestação cultural, comprometendo o papel primeiro da arte, a subversão.

Nesta mesma perspectiva, a técnica e a tecnologia perpassam a história humana com sentido de “revolução e evolução”, com o papel de constituir cenários de emancipação e qualidade de vida. Foi através do conhecimento transformado em técnica e tecnologia que os humanos puderam se tornar fixos e ao mesmo tempo proverem suas necessidades. Podemos situar essa percepção de época, anterior ao capitalismo, em conjunturas e arranjos sociais específicos que de forma hegemônica constituíram-se como uma fonte de qualidade de vida às pessoas de forma abrangente.

A atualidade, no entanto, é direcionada para a reprodução do Capital, onde a centralidade não está no ser humano e na qualificação da vida social. O Capitalismo precisa inevitavelmente de técnicas e tecnologias para se realizar e reproduzir, a dita neutralidade tecnológica que é geralmente confundida com falta de dimensão de efeitos. O fato é que, em vez de neutra, encontramos fissuras de contestação e novas “lutas” na internet. Um exemplo é que mesmo proporcionando infraestrutura necessária à globalização financeira, a internet também proporciona a articulação de pessoas, em redes sociais digitais, que produzem e distribuem conteúdos, ancorados ou gerados por aparelhos tecnológicos pessoais, portáteis, configuráveis e conectantes.

Ainda que questionada, a indústria cultural mantém-se como um poderoso instrumento político, pois o controle da produção e acesso é essencial para manter a dominação e a concentração de poder. A cultura limitada pela lógica mercantil, entope de resignação as veias da criatividade humana, bloqueando possibilidades de produção diversa e abrangente, bem como, uniformizando as possibilidades amplas e diversas de “relação social”, valor essencial na formação da cultura.

Os paradigmas da atualidade também promovem profundas alterações na produção e na política, que assentam-se em novas configurações frente aos processos de lutas sociais em curso. Para tanto, percebe-se que a atualidade vem alterando alguns conceitos, papéis e expectativas frente às instituições e sociedade industrial, o que configura novos vetores que agregam oprimidos e explorados, forjam novos atores e lutas, constituindo movimentos sociais com diferentes metodologias e percepções de avaliação, organização e ação, guardando diferenças frente aos protagonistas centrais de momentos anteriores. Nas últimas duas décadas, o conceito das redes, da horizontalidade hierárquica e da disputa do poder – não diretamente relacionada com a disputa do Estado – desenvolveu-se como nunca visto.

Dentro das chamadas fissuras, as redes sociais digitais, através das TICs, interligam indivíduos, entidades, grupos culturais e distribuem informações e conhecimentos com comunicação ponto a ponto, protocolos capazes de comunicar, compartilhar e distribuir a “produção” de bens imateriais dos comunicadores(as)/produtores(as), gerando negócios, trabalho e renda. Essas redes influenciam novas estruturas sociais sem centro, que baseiam-se na ideia de conexão independente como forma para articular relações duradouras.

Pontos de Cultura, Rádios Comunitárias, Software Livre, Blogueiros(as) e Movimento Música Para Baixar, bem como, conceitos de “produção e produto imaterial”, Cultura Livre, redes de produção e Economia Solidária, são bases que necessitam avançar na elaboração e problematização de seus limites conceituais e infraestruturais, qualificando assim formas organizativas de gestão e produção, comercialização e circulação de bens, endógenas, emancipatórias, sustentáveis, viáveis para inserção e disputa de paradigmas no mercado. Sendo assim, qual o projeto de Banda Larga, direito autoral, hospedagem de conteúdos, circulação de conhecimento/bens imateriais necessitamos? Qual o modelo mais efetivo e emancipado de organizar o trabalho imaterial? Como “valorar” a produção e circulação de um bem imaterial nas redes, texto, música, vídeo, equilibrando o acesso livre com uma remuneração justa do criador?

O seminário “Tempos pós-modernos e a crise das indústrias da intermediação cultural: existe vida cultural após o copyright?” tem a missão de problematizar e construir vetores, onde a cultura livre enquanto forma de expressão e estética – igualmente produtiva- identifique estratégias possíveis, emancipatórias de um outro trabalho, de uma outra economia e de uma outra cultura livre, capaz de propor arranjos e valores que tenham os seres, a vida ao centro.
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fonte: http://www.brasilautogestionario.org/2010/03/17/tempos-pos-modernos-e-a-...